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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mubarak deixa Cairo com a família, diz TV árabe


CAIRO (Reuters) - A TV Al Arabiya informou nesta sexta-feira que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e sua família deixaram o Cairo rumo ao resort de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, partindo de uma base militar num subúrbio da capital.
A emissora informou ter confirmado a chegada deles ao balneário egípcio, mas não especificou qual era sua fonte.

A notícia surgiu no momento em que os manifestantes se deslocavam para o palácio presidencial no subúrbio de Heliópolis, no Cairo, pela primeira vez desde que começaram os protestos pedindo a renúncia de Mubarak, em 25 de janeiro.

Os manifestantes estavam concentrados diante de uma proteção com arame farpado colocada no entorno do palácio, a uma distância de 50 metros dos muros do edifício, no ponto de maior aproximação.

Tanques e soldados da Guarda Republicana, a elite militar, responsável pela segurança da Presidência, cercavam o palácio, segundo uma testemunha da Reuters.

Uma alta fonte militar contatada pela Reuters não quis comentar a informação de que Mubarak havia deixado o Cairo.

O presidente costuma ir com frequência a Sharm el-Sheik, um popular destino turístico, onde ele costuma receber convidados

(Reportagem de Samia Nakhoul e Marwa Awad)

Conselho Superior da Forças Armadas reúne-se no Egito


Cairo, 11 fev (EFE).- O Conselho Superior das Forças Armadas do Egito, presidido pelo ministro da Defesa, general Mohamed Hussein Tantaui, se reuniu nesta sexta-feira, informou a agência de notícias estatal "Mena".

A previsão é que depois depois da reunião o Conselho emita um comunicado ao povo egípcio, segundo a agência "Mena", que não forneceu mais detalhes do encontro nem do possível anúncio.

A reunião acontece depois de o presidente egípcio, Hosni Mubarak, anunciar na noite de quinta-feira que seguirá no poder, mas com menos prerrogativas ao ceder parte delas ao seu vice-presidente, Omar Suleiman.

Também na quinta-feira o Conselho Supremo das Forças Armadas insistiu em seu apoio "às legítimas reivindicações do povo" e afirmou que está "estudando medidas" para defender os interesses do país.

A emissora de TV pública mostrou imagens do Conselho, mas entre os presentes não se encontrava Mubarak, comandante-em-chefe das Forças Armadas, o que alimentou ainda mais os rumores sobre sua possível saída.

A renúncia de Mubarak e a queda do regime atual são o objetivo desta revolta popular sem precedentes que começou em 25 de janeiro, pelo que a expectativa era enorme na quinta-feira perante a possibilidade de o presidente anunciar a sua saída do poder.

Suas palavras foram recebidas com indignação e decepção pelas dezenas de milhares de manifestantes concentrados na praça Tahrir, no Cairo, epicentro dos protestos.

Os movimentos juvenis e os grupos opositores convocaram para esta sexta-feira uma grande manifestação, que depois dos últimos eventos promete reunir ainda mais pessoas.
Fonte: efe.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mubarak deve renunciar nesta 5a; oposição teme 'golpe'


CAIRO (Reuters) - O presidente do Egito, Hosni Mubarak, deve renunciar ainda nesta quinta-feira, depois de mais de duas semanas de protestos contra seus 30 anos no governo. Segundo o grupo oposicionista Irmandade Muçulmana, a situação parecia indicar um golpe militar.

As Forças Armadas, que têm garantido apoio aos governantes egípcios nas últimas seis décadas, desde o fim do período colonial, anunciaram estar tomando medidas para garantir a segurança da nação e as aspirações do povo.

A informação de que Mubarak pode estar saindo do poder provocou celebrações na Praça Tahrir, no centro do Cairo, que concentra as manifestações pró-democracia, mas houve também preocupação sobre o futuro papel do Exército.

Indagado sobre se Mubarak iria renunciar, uma autoridade egípcia disse à Reuters: 'Muito provavelmente'.

A TV estatal informou que Mubarak vai fazer um pronunciamento à nação de seu palácio no Cairo, nesta quinta-feira.

Segundo a emissora britânica BBC, o chefe do partido político de Mubarak afirmou que ele provavelmente vai deixar o cargo.

'Falei com o novo secretário-geral do governista Partido Democrático Nacional, Hossan Badrawi', disse um repórter da BBC. 'Ele afirmou: 'Espero que o presidente entregue seus poderes esta noite'.

Depois, a TV estatal mostrou Mubarak reunido com seu vice, Omar Suleiman, em seu palácio no Cairo.

O general Gassan Roweny disse a dezenas de milhares de manifestantes na Praça Tahrir (da Libertação): 'Tudo o que vocês querem será realizado.'

As pessoas gritavam: 'civil, civil. Nós não queremos que seja militar' -- em um apelo para que haja eleições livres para o governo. Ainda não está claro o quanto as Forças Armadas estão dispostas a aceitar isso.

'Parece ser um golpe militar', afirmou à Reuters um líder do grupo oposicionista Irmandade Muçulmana. 'Sinto medo e ansiedade. O problema não é com o presidente, é com o regime', disse Essam al-Erian.

EUA MONITORAM

A Casa Branca informou que estava monitorando uma 'situação muito variável' no Egito.

'Estamos acompanhando uma situação muito variável', afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, aos repórteres a bordo do Air Force One, que levava o presidente Barack Obama para o Michigan.

Ele acrescentou que a prioridade de Washington continua sendo uma transição ordeira para uma eleição livre e justa no Egito. A Casa Branca tem se pronunciado a favor das aspirações democráticas dos manifestantes e pressionou o governo do Cairo a realizar mudanças significativas -- e alertou que uma transição repentina poderia gerar um caos.

O chefe da CIA, Leon Panetta, declarou em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos nesta quinta-feira que havia uma forte probabilidade de que Mubarak renunciasse à noite.

'Há uma forte probabilidade de que Mubarak possa renunciar esta noite, que seria significativa em termos de onde a transição, que esperamos seja ordeira, terá lugar', disse ele.

Panetta acrescentou mais tarde que não tinha uma 'palavra específica' de que Mubarak, um antigo aliado dos EUA, estaria prestes a renunciar.

O ministro da Informação do Egito negou que Mubarak fosse deixar o cargo.

'O presidente ainda está no poder e não está renunciando', disse Anas el-Fekky. 'O presidente não está renunciando e tudo o que ouviram são rumores da mídia.'

Imagens exibidas pela emissora estatal do encontro realizado pela cúpula militar mostraram o ministro da Defesa, Hussein Tantawi, como líder do encontro. Mubarak não participou da reunião, de acordo com a TV.

'O Superior Conselho Militar realizou uma reunião hoje sob comando de Hussein Tantawi, chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa, para discutir as medidas necessárias e os preparativos para proteger a nação, suas conquistas e as aspirações do povo', disse a agência de notícias estatal Mena.